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O que é teste de penetração
O teste de penetração, comumente conhecido como pentest, é uma prática essencial de segurança cibernética que envolve a simulação controlada de ataques a sistemas de computadores, redes ou aplicações web. O objetivo principal é descobrir vulnerabilidades de segurança que um atacante mal-intencionado poderia explorar, permitindo que as organizações fortaleçam suas defesas antes que incidentes reais ocorram.
Definição
O Pentest é um processo sistemático e metódico de avaliação da segurança de um sistema ou rede, realizado por profissionais qualificados que utilizam as mesmas técnicas e ferramentas empregadas por atacantes reais, porém de forma ética e autorizada, com o propósito de identificar e documentar vulnerabilidades para posterior correção.
"Para conhecer o seu inimigo você deve tornar-se seu inimigo." - Sun Tzu
A realização de pentests de forma estruturada é essencial para garantir resultados consistentes e reproduzíveis. Por isso, diversas metodologias e frameworks foram desenvolvidos ao longo dos anos para guiar profissionais de segurança durante o processo, cada um com suas próprias diretrizes e áreas de foco.
NIST 800-115: Guia Técnico de Avaliação de Segurança
O NIST 800-115 (Technical Guide to Information Security Testing and Assessment) é um documento desenvolvido pelo National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos. Embora não seja exclusivamente um guia de pentest, fornece orientações abrangentes para a condução de testes de segurança em geral.
Principais características do NIST 800-115
- Planejamento estruturado: Enfatiza a importância de uma abordagem organizada para avaliação de segurança
- Tipos de teste: Aborda testes de rede, vulnerabilidades, engenharia social e segurança física
- Fases definidas: Planejamento, execução, análise e relatório
- Documentação: Orienta sobre como documentar adequadamente os resultados
- Conformidade: Amplamente aceito por órgãos governamentais e empresas que fornecem serviços ao governo
Aplicação prática: O NIST 800-115 é especialmente útil para organizações que precisam demonstrar conformidade com regulamentações governamentais ou que buscam uma abordagem padronizada e reconhecida internacionalmente para suas avaliações de segurança.
OSSTMM: Open Source Security Testing Methodology Manual
O OSSTMM (Open Source Security Testing Methodology Manual) é um manual abrangente desenvolvido pelo ISECOM (Institute for Security and Open Methodologies) que oferece uma metodologia científica para testes de segurança operacional.
Pilares do OSSTMM
O OSSTMM organiza seus testes em cinco canais de segurança operacional:
- Segurança Humana: Avalia aspectos relacionados a engenharia social e conscientização
- Segurança Física: Testa controles de acesso físico e proteção de ativos tangíveis
- Comunicações sem fio: Analisa redes Wi-Fi, Bluetooth e outras tecnologias wireless
- Telecomunicações: Avalia sistemas de telefonia e comunicação de voz
- Redes de dados: Testa infraestrutura de rede, servidores e aplicações
Uma característica distintiva do OSSTMM é o conceito de RAV (Risk Assessment Values), que permite quantificar a segurança de forma objetiva, facilitando comparações e acompanhamento de evolução ao longo do tempo.
PTES: Penetration Testing Execution Standard
O PTES (Penetration Testing Execution Standard) é um dos frameworks mais detalhados e amplamente adotados pela indústria de segurança. Ele fornece uma estrutura normativa completa para a execução de testes de penetração, padronizando tanto o processo quanto a nomenclatura utilizada.
As 7 fases do PTES
- Pre-engagement Interactions: Definição de escopo, regras de engajamento, autorizações e aspectos legais
- Intelligence Gathering: Coleta de informações sobre o alvo usando técnicas de OSINT e reconhecimento
- Threat Modeling: Identificação de ativos críticos e modelagem de ameaças potenciais
- Vulnerability Analysis: Descoberta e análise de vulnerabilidades nos sistemas identificados
- Exploitation: Exploração controlada das vulnerabilidades encontradas
- Post-exploitation: Avaliação do impacto real, movimentação lateral e persistência
- Reporting: Documentação detalhada dos achados, riscos e recomendações
Por que usar o PTES
O PTES é particularmente valioso por sua abordagem prática e detalhada. Cada fase inclui guias técnicos específicos, ferramentas recomendadas e exemplos de entregáveis. Isso garante que os testes de penetração sejam abrangentes, consistentes e produzam resultados acionáveis para as organizações.
OWASP: Segurança de Aplicações Web
O OWASP (Open Web Application Security Project) é uma fundação sem fins lucrativos dedicada a melhorar a segurança de software. Embora não seja um framework de pentest tradicional, o OWASP oferece recursos fundamentais para testes de segurança em aplicações web.
Principais recursos do OWASP
- OWASP Top 10: Lista das dez vulnerabilidades mais críticas em aplicações web, atualizada periodicamente
- OWASP Testing Guide: Guia detalhado para testes de segurança em aplicações web
- OWASP ASVS: Application Security Verification Standard para validação de segurança
- OWASP SAMM: Software Assurance Maturity Model para maturidade em segurança
- ZAP (Zed Attack Proxy): Ferramenta gratuita para testes de segurança web
OWASP Top 10 - Vulnerabilidades críticas
O OWASP Top 10 é uma referência essencial para qualquer profissional de segurança. As categorias atuais incluem:
- Broken Access Control (Controle de Acesso Quebrado)
- Cryptographic Failures (Falhas Criptográficas)
- Injection (Injeção de código)
- Insecure Design (Design Inseguro)
- Security Misconfiguration (Configuração Incorreta)
- Vulnerable and Outdated Components (Componentes Vulneráveis)
- Identification and Authentication Failures (Falhas de Autenticação)
- Software and Data Integrity Failures (Falhas de Integridade)
- Security Logging and Monitoring Failures (Falhas de Monitoramento)
- Server-Side Request Forgery (SSRF)
PCI DSS: Requisitos de Pentest para Indústria de Cartões
O PCI DSS (Payment Card Industry Data Security Standard) é um padrão de segurança obrigatório para organizações que processam, armazenam ou transmitem dados de cartões de pagamento. Embora seu foco principal não seja pentest, o padrão inclui requisitos específicos para testes de penetração.
Requisitos de pentest no PCI DSS
- Requisito 11.3: Testes de penetração devem ser realizados pelo menos anualmente e após mudanças significativas
- Escopo obrigatório: Testes devem cobrir todo o ambiente de dados do titular do cartão (CDE)
- Testes externos e internos: Ambas as perspectivas devem ser avaliadas
- Testes de segmentação: Validação de que controles de segmentação estão funcionando
- Metodologia reconhecida: Uso de frameworks como NIST SP 800-115, OSSTMM ou PTES
- Qualificação do testador: Profissionais qualificados e independentes
Frequência de testes: Além dos testes anuais obrigatórios, o PCI DSS recomenda que organizações realizem testes após qualquer mudança significativa na infraestrutura, aplicações ou configurações de segurança que possam afetar o ambiente de dados do titular do cartão.
Como escolher o framework certo
A escolha do framework ou metodologia adequada depende de diversos fatores específicos de cada organização e projeto. Considere os seguintes critérios:
Fatores de decisão
- Tipo de ativo: Aplicações web (OWASP), redes (PTES/OSSTMM), ambientes corporativos (NIST)
- Requisitos regulatórios: PCI DSS para dados de cartão, NIST para contratos governamentais
- Maturidade da organização: Frameworks mais detalhados para equipes experientes
- Escopo do teste: Avaliações amplas vs. testes focados em áreas específicas
- Recursos disponíveis: Tempo, orçamento e expertise da equipe
- Necessidade de comparação: OSSTMM oferece métricas quantitativas (RAV)
Recomendações por cenário
- Testes de aplicações web: OWASP Testing Guide + OWASP Top 10
- Pentests corporativos abrangentes: PTES como framework principal
- Conformidade governamental: NIST 800-115
- Indústria de pagamentos: Metodologia aprovada pelo PCI DSS
- Avaliações de segurança física + digital: OSSTMM
Abordagem híbrida
Na prática, muitas organizações adotam uma abordagem híbrida, combinando elementos de diferentes frameworks conforme as necessidades específicas de cada projeto. Por exemplo, utilizar o PTES como estrutura base, incorporando os controles do OWASP para testes de aplicações web e seguindo os requisitos do PCI DSS quando aplicável.
Se sua organização precisa de um pentest profissional, consulte nosso guia sobre onde encontrar empresas que realizam auditorias de segurança cibernética, incluindo critérios de avaliação e o que esperar do processo.
Conclusão
Os frameworks e metodologias de pentest são ferramentas essenciais para garantir que os testes de penetração sejam conduzidos de forma profissional, consistente e abrangente. Cada abordagem oferece vantagens específicas, e a escolha adequada pode fazer a diferença entre uma avaliação superficial e uma análise de segurança verdadeiramente eficaz.
O NIST 800-115 oferece uma base sólida e reconhecimento institucional. O OSSTMM fornece uma metodologia científica com métricas quantificáveis. O PTES detalha cada fase do processo com orientações práticas. O OWASP é indispensável para segurança de aplicações web. E o PCI DSS estabelece requisitos obrigatórios para a indústria de pagamentos.
Independentemente do framework escolhido, o mais importante é que os testes sejam realizados por profissionais qualificados, com metodologia definida, documentação adequada e foco em gerar resultados acionáveis que efetivamente melhorem a postura de segurança da organização.
Se a sua organização precisa de testes de penetração profissionais ou deseja implementar um programa de segurança ofensiva, podemos auxiliar com essa demanda. Fale conosco.